Vídeo não é solução: promessa de desapropriação feita pelo prefeito não saiu do papel e criadores seguem sem terra em Coelho Neto
No dia 2 de maio de 2025, o prefeito de Coelho Neto publicou em seu perfil oficial no Instagram um vídeo institucional gravado nas dependências da Itajubara. Na ocasião, anunciou o que classificou como a resolução de um conflito antigo envolvendo criadores de animais do município.
“Definimos com o grupo João Santos que a prefeitura vai desapropriar mil hectares de terra para fazer a doação a esses criadores”, declarou o prefeito no vídeo.
À época, o anúncio foi tratado como solução definitiva. O próprio prefeito deu a entender que o problema estava encerrado. No entanto, passados meses, a realidade no campo mostra que a promessa não se transformou em política pública.
Área foi mapeada, mas nada avançou
Segundo informações obtidas, a área apontada para a desapropriação estaria localizada nas regiões do Olho d’Água Grande e Pindaré. Ou seja, houve mapeamento, houve indicação territorial, mas nenhuma etapa seguinte foi executada.
Até agora, não existe decreto de desapropriação, não há processo administrativo conhecido, não há imissão na posse, não há doação formal e os criadores seguem sem um espaço legalizado para suas criações.
Se estava resolvido, por que os criadores voltaram à Câmara?
A contradição ficou ainda mais evidente no dia 8 de janeiro de 2026, quando os criadores de animais compareceram novamente à Câmara Municipal de Coelho Neto em busca de uma solução para um problema que, segundo o prefeito, já havia sido resolvido no ano anterior.
Participaram da reunião os vereadores: Junior Santos (presidente da Câmara), Val Filho (membro da CCJ), Estefane da internet, Marcos Tourinho, Nailson, Cristiane e Ivonte Brito, além dos criadores.
O acordo feito na Câmara expõe a fragilidade do anúncio
Ao final do encontro, ficou acertado que Josy, funcionária da Câmara, iria protocolar um pedido formal ao senhor Silas, diretor do Grupo João Santos, solicitando uma nova reunião para tratar da questão das terras.
Esse ponto é central para entender o problema.
Se a prefeitura realmente tivesse decidido desapropriar mil hectares nas áreas de Olho d’Água Grande e Pindaré, não haveria necessidade de nova negociação com o grupo privado.
Desapropriação não depende de conversa, depende de decreto
A desapropriação é um ato unilateral do poder público, previsto em lei.
Ela não depende de autorização do proprietário, nem de intermediação do Legislativo.
Depende de vontade política, ato administrativo e execução legal.
O fato de a Câmara ter que pedir uma nova reunião com o diretor do grupo evidencia que a desapropriação nunca saiu da fase do discurso.
Governo de propaganda, não de execução
O episódio reforça uma crítica recorrente à atual gestão: anúncios grandiosos nas redes sociais, mas ausência de resultados concretos.
Enquanto o prefeito divulga vídeos afirmando que conflitos históricos foram solucionados, os criadores seguem sem terra, os animais sem área adequada e o problema se arrastando de reunião em reunião.
Perguntas sem resposta
Onde está o decreto de desapropriação das áreas de Olho d’Água Grande e Pindaré?
Onde está o processo administrativo?
Onde estão os mil hectares prometidos?
Até que essas respostas apareçam, a conclusão é inevitável: Em Coelho Neto, a desapropriação teve endereço, mas nunca teve execução.
Redação | Na Mira dos Fatos CN
Reginaldo Machado – Jornalista
DRT 0098880/SP


Comentários
Postar um comentário