Festejo de Sant’Ana escancara o que a política de Coelho Neto tenta esconder: quem ainda caminha com o povo?
O encerramento do Festejo de Sant’Ana, celebrado com devoção por milhares de fiéis em Coelho Neto, não foi apenas um ato de fé. Foi também um espelho. Um espelho que, neste ano, refletiu mais do que a religiosidade do povo, refletiu o estado real da política local.
Entre a multidão, um rosto familiar caminhava com leveza e liberdade: Soliney Silva, ex-prefeito da cidade. Sem aparato, sem palanque, sem microfone. Apenas ele e o povo. A cada passo, apertos de mão, sorrisos, selfies, abraços sinceros. A cena foi natural, espontânea, sem roteiros ou estratégias de marketing. Quem presenciou, viu um homem sendo acolhido por um sentimento que não se compra: o reconhecimento popular.
Enquanto isso, em um ponto reservado, o atual prefeito Bruno Silva também estava presente. Acompanhado por aliados políticos e familiares, preferiu manter-se afastado da multidão. Cercado por rostos já conhecidos da política local, sua presença passou quase despercebida. Não houve manifestações públicas de carinho, nem aquele calor humano que todo gestor gostaria de receber em meio ao povo que governa. Faltou o essencial: a conexão com a população.
Presença popular não se impõe, se conquista
O que vimos no encerramento do festejo não foi apenas um momento simbólico. Foi uma demonstração clara de como a população enxerga quem está de fato com ela, e quem se afastou. Governar não é apenas assinar decretos, tirar fotos oficiais, fazer maquiagem em videos e fotos ou inaugurar obras de outros entes da federação (Estado e Federal). Governar é sentir o povo, estar com ele, ouvir suas angústias, celebrar suas vitórias e dividir suas dores.
Durante muito tempo, tentou-se vender a imagem de que o atual prefeito era o representante da renovação. Mas o que se percebe, dia após dia, é um distanciamento crescente entre o gestor e a realidade vivida nas ruas, bairros, comunidades e povoados. Um governo que se fecha em si mesmo e ignora o termômetro mais preciso da política: o sentimento popular.
A força de quem saiu, mas não foi esquecido
Soliney, por outro lado, mesmo fora do poder há anos, ainda demonstra uma força política que poucos conseguem manter. Isso não significa que tenha sido perfeito, mas sim que sua história foi marcada por presença, por enfrentamento de desafios e por diálogo direto com a população. Seu nome, gostem ou não os adversários, ainda desperta lembranças de um tempo em que havia mais escuta e menos imposição.
A caminhada de Soliney entre o povo no Festejo de Sant’Ana não é só uma fotografia bonita: é um retrato político de um sentimento coletivo que vem crescendo em Coelho Neto. As ruas falam — e falaram alto naquele dia.
O povo está acordando
A população de Coelho Neto já percebeu que ser popular não é a mesma coisa que ter seguidores em redes sociais. Que ser prefeito é mais do que estar num cargo. E que o verdadeiro líder é aquele que permanece ao lado do povo, mesmo quando não está mais no poder.
A fé em Sant’Ana continua sendo o elo mais forte da cidade. Mas talvez ela tenha feito mais neste ano: tenha iluminado os olhos dos que ainda acreditam que é possível mudar os rumos da política local. Porque uma cidade não se transforma com promessas vazias, mas com gestos verdadeiros, liderança presente e compromisso com as pessoas.
Que esse Festejo sirva como alerta. Que a população reflita. Que em meio aos cantos, orações e devoções, cada cidadão também reze por uma política mais humana, mais próxima, mais transparente. Porque no fim das contas, a pergunta que fica é simples:
Quem você quer ver caminhando ao seu lado?
Reginaldo Machado

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