Prefeitura vende “Dubai”, mas população vive realidade de interior sem água em Coelho Neto
Apesar do discurso oficial otimista e das peças de marketing institucional que tentam projetar Coelho Neto como uma cidade estruturada e em pleno desenvolvimento, a realidade enfrentada pela população segue em sentido oposto — especialmente quando o assunto é abastecimento de água, um serviço básico essencial.
O prefeito Bruno Silva afirma que, ao longo de sua gestão, foram perfurados 36 poços no município. A declaração, no entanto, contrasta com relatos recorrentes da população e com experiências vividas recentemente na cidade.
Testemunho direto expõe a precariedade
O jornalista Reginaldo Machado esteve em Coelho Neto-MA entre os dias 16 e 23 de janeiro de 2026 e relata que, durante todo o período, não houve abastecimento regular de água no imóvel onde estava hospedado, localizado no centro da cidade.
Segundo o relato, os banhos precisaram ser feitos “de caneca”, aguardando o enchimento de baldes, pois não havia pressão suficiente para que a água subisse até o chuveiro. Em nenhum dos dias foi possível tomar banho normalmente.
O dado chama atenção justamente por se tratar da região central do município, que, em tese, deveria ser uma das áreas menos afetadas por problemas estruturais de abastecimento.
Contrato milionário para perfuração de poços
A situação se torna ainda mais sensível quando analisados os dados oficiais de contratos firmados pela Prefeitura.
Só em 2026, foi celebrado o:
Objeto: contratação de empresa especializada para prestação de serviços de perfuração e aprofundamento de poços artesianos, com fornecimento de material, equipamentos e mão de obra, conforme Termo de Referência/Projeto Básico.
Valor total: R$ 3.121.957,10
O valor ultrapassa três milhões de reais e, em tese, deveria resultar em impacto direto e perceptível na melhoria do abastecimento de água da cidade.
Poços no papel, água que não chega
Gestores públicos sabem que perfurar poços não é sinônimo automático de água nas torneiras. Para que o serviço funcione de fato, é necessário:
- Poços efetivamente concluídos e em operação;
- Bombas instaladas e funcionando;
- Energia elétrica regular;
- Reservatórios adequados;
- Rede de distribuição eficiente;
- Manutenção contínua.
Quando a população continua convivendo com falta d’água, mesmo após contratos milionários e anúncios oficiais, surgem questionamentos inevitáveis:
- Quantos poços desse contrato estão efetivamente funcionando?
- Onde estão localizados?
- Quais bairros foram beneficiados?
- Qual a vazão real desses poços?
- Por que a água não chega às casas?
Marketing x vida real
A crítica que ecoa nas ruas é simples e direta:
O marketing da prefeitura vende uma “Dubai”, mas a vivência da população é de interior abandonado.
Enquanto peças institucionais apresentam uma cidade moderna e estruturada, o cotidiano revela improviso, baldes, canecas e torneiras secas. O contraste entre discurso e realidade acaba enfraquecendo a credibilidade da própria gestão.
Diante de contratos milionários, números divulgados e promessas reiteradas, a permanência da falta d’água em Coelho Neto revela que o problema não está apenas na comunicação, mas na efetividade das políticas públicas.
Enquanto a gestão insistir em vender uma cidade que não corresponde à experiência real da população, a realidade continuará falando mais alto do que qualquer campanha publicitária.
Afinal, não adianta anunciar dezenas de poços se a água não chega à torneira do povo.
Redação | Na Mira dos Fatos CN
Reginaldo Machado – Jornalista
DRT 0098880/SP

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