Explode o escândalo: Gestão Bruno Silva tem contrato com licitação da cidade onde a polícia levou prefeito, vice e vereadores — vereador cobra explicações
Contrato milionário com recursos do FUNDEB levanta questionamentos sobre execução dos serviços e legalidade da adesão
A Prefeitura de Coelho Neto aderiu a uma ata de registro de preços do município de Turilândia-MA, cidade que se tornou símbolo de um dos maiores escândalos já investigados no Maranhão. A adesão resultou na contratação da empresa DATA TECH Comércio e Serviços de Informática LTDA, por meio do Pregão Eletrônico nº 004/2022 – Turilândia, dando origem ao Contrato nº 120/2023.
O contrato, custeado com recursos do FUNDEB, já consumiu quase R$ 2 milhões dos cofres públicos e agora é alvo de questionamentos formais em Coelho Neto-MA.
Turilândia foi palco da Operação Tântalo II, que levou à prisão do prefeito, vice-prefeita, vereadores, pregoeira e servidores do setor de compras, acusados de integrar um esquema de desvio de mais de R$ 56 milhões por meio de licitações fraudadas e atas de registro de preços manipuladas — exatamente o tipo de instrumento usado por Coelho Neto para contratar a empresa.
A contratação em Coelho Neto ocorreu por meio de adesão — conhecida como “carona” — à Ata de Registro de Preços nº 003/2022, originária da Prefeitura de Turilândia.
Dados do contrato:
Empresa: DATA TECH Comércio e Serviços de Informática LTDA
CNPJ: 09.220.230/0001-30
Pregão de origem: Eletrônico nº 004/2022 – Turilândia-MA
Contrato em Coelho Neto: nº 120/2023
Objeto: Serviços de informática educacional
Meta: Atendimento de 800 alunos por mês
Fonte de recursos: FUNDEB
Quase R$ 2 milhões já pagos
Levantamento com base em documentos financeiros oficiais aponta os seguintes pagamentos:
Ano de 2023
3 pagamentos de R$ 116.400,00
Total: R$ 349.200,00
Ano de 2024
9 pagamentos de R$ 116.400,00
Total: R$ 1.047.600,00
Ano de 2025 (até janeiro)
5 pagamentos de R$ 116.400,00
Total: R$ 582.000,00
Total geral: R$ 1.978.800,00
Todos os valores foram pagos com recursos do FUNDEB, destinados constitucionalmente à educação básica.
Pagamentos concentrados no mesmo dia chamam atenção
Os registros financeiros revelam um padrão considerado atípico por especialistas em controle público: Diversos pagamentos realizados no mesmo dia, com valores idênticos e referentes a meses distintos.
Esse tipo de prática é frequentemente associado a:
- Liquidação retroativa de despesas;
- Pagamentos acumulados sem comprovação mensal;
- Risco de serviço não executado integralmente
Vereador protocola pedido de investigação
Diante da gravidade do caso, o vereador Samuel Aragão (PDT) protocolou o Requerimento de Informação nº 01/2026, endereçado à Secretaria Municipal de Educação.
No documento, o parlamentar destaca que o contrato é oriundo de uma ata de Turilândia, município alvo de operação contra desvio de recursos públicos, e cobra uma série de documentos para comprovar a execução do serviço.
Entre as exigências:
- Listas de presença dos alunos e instrutores;
- Endereço onde as aulas são ministradas;
- Inventário dos equipamentos instalados;
- Relatórios mensais de fiscalização;
- Relação de alunos certificados;
- Notas fiscais, empenhos e ordens de pagamento;
- Pesquisa de preços que justificou a “vantajosidade” da adesão.
Na justificativa, o vereador afirma:
“Diante de indícios de que o serviço pode não estar sendo prestado na totalidade contratada (800 alunos/mês), faz-se indispensável a análise documental para salvaguardar o erário de Coelho Neto.”
Origem do contrato
A licitação usada por Coelho Neto nasceu em Turilândia — município onde a Justiça constatou a existência de uma suposta organização criminosa instalada dentro da prefeitura e da câmara municipal.
A Operação Tântalo II revelou que:
- Licitações eram fraudadas;
- Atas de preços eram direcionadas;
- Empresas eram favorecidas;
- Recursos públicos eram desviados sistematicamente.
Foi exatamente desse sistema que saiu a ata usada por Coelho Neto.
Questionamentos que ainda não foram respondidos
Até o momento, a Prefeitura não apresentou publicamente:
- Provas de que 800 alunos/mês estão sendo atendidos;
- Relatórios de fiscalização do contrato;
- Relação de alunos certificados;
- Justificativa técnica de vantajosidade da adesão.
Risco jurídico para a gestão
Caso se confirme que houve pagamento por serviço não prestado ou irregularidades na adesão, podem estar configurados crimes e infrações como:
- Dano ao erário;
- Improbidade administrativa;
- Fraude à licitação;
- Pagamento indevido com recursos do FUNDEB
Com responsabilização direta do ordenador de despesas.
Resumindo
Coelho Neto aderiu a uma ata de registro de preços oriunda de um município mergulhado em corrupção institucionalizada.
Já foram pagos quase R$ 2 milhões do FUNDEB com base em um contrato que:
- Veio de uma licitação hoje sob suspeita;
- Apresenta padrão financeiro atípico;
- Não teve execução comprovada publicamente;
- Ja virou alvo de requerimento formal do vereador Samuel Aragão.
O caso reúne todos os elementos de uma grande denúncia envolvendo recursos da educação e pode se transformar em uma das maiores crises administrativas da atual gestão.
Documento produzido por nossa equipe
Redação | Na Mira dos Fatos CN
Reginaldo Machado – Jornalista
DRT 0098880/SP

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