Silêncio, retaliação e constrangimento público: o que a gestão Bruno Silva fez com um campeão do futebol rural de Coelho Net
A gestão do prefeito Bruno Silva, em Coelho Neto-MA, volta a ser alvo de questionamentos graves, desta vez envolvendo esporte, liberdade de expressão e possível retaliação política contra um servidor municipal.
O episódio envolve Antônio Ramos, atleta conhecido no futebol rural da cidade, capitão da equipe campeã do Campeonato Rural, e que era servidor do setor de Iluminação Pública do município. Cerca de dois a três meses antes da final do campeonato, Antônio foi demitido do cargo que exercia na Prefeitura. O motivo, segundo ele próprio relata, não teve relação com desempenho profissional, faltas ou qualquer processo administrativo conhecido.
De acordo com o atleta, a demissão ocorreu após a publicação de uma nota de agradecimento em suas redes sociais, onde mencionava os vereadores Estefâni da internet e Samuel Aragão, ambos de oposição ao atual governo municipal, por terem ajudado o time da cidade. A publicação, conforme relatado, não continha críticas à gestão, ataques políticos ou menções negativas a qualquer autoridade.
Em mensagem enviada à reportagem, Antônio Ramos foi direto:
“Fui perseguido e demitido por um motivo banal. Mais fiquei indignado foi a falta de respeito por minha pessoa, profissional na minha área e como atleta da cidade. Onde fui demitido por uma nota de agradecimento onde tinha o nome do Estefâni e Samuel, onde não tinha nada falando mal de ninguém, apenas praticando meu futebol com um time nosso da cidade.”
O episódio ganhou contornos ainda mais simbólicos na final do Campeonato Rural. Ao subir para receber o troféu e a premiação de R$ 12 mil, Antônio Ramos colocou uma máscara antes de pegar a taça das mãos do prefeito Bruno Silva. O gesto, silencioso e visível para todos, foi interpretado como um protesto contra o que ele considera perseguição e desrespeito.
A pergunta que fica é inevitável:
Em Coelho Neto, agradecer vereadores de oposição se tornou motivo para demissão?
Mais grave ainda é o recado que situações como essa transmitem à população: O de que servidores e cidadãos devem medir palavras, amizades e agradecimentos, sob o risco de sofrerem consequências administrativas. Isso não é compatível com uma democracia, tampouco com uma gestão que se diz aberta ao diálogo e ao contraditório.
O futebol rural, que deveria ser espaço de integração, inclusão e orgulho para a cidade, acabou exposto como palco de um constrangimento público desnecessário — onde o campeão precisou recorrer a uma máscara para expressar o que não pôde dizer em palavras.
Até agora, a gestão Bruno Silva não apresentou qualquer nota oficial, não explicou as denúncias feitas pelo atleta. O espaço segue aberto.
Mas enquanto não há resposta, fica o registro: Em Coelho Neto, o problema não é o gesto de um campeão mascarado — é a normalização do silêncio imposto, da retaliação velada e do medo de agradecer.
E isso, por si só, já diz muito sobre a forma como o poder tem sido exercido no município.
Redação | Na Mira dos Fatos CN
Reginaldo Machado – Jornalista
DRT 0098880/SP

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