Não é modernização: Bruno Silva terceiriza a limpeza pública e abandona os varredores à própria sorte
A Prefeitura de Coelho Neto deu um passo que impacta diretamente a vida de dezenas de trabalhadores e a rotina de toda a cidade. Por meio do Contrato nº 266/2025, no valor de R$ 4.763.519,10, o prefeito Bruno Silva decidiu terceirizar integralmente os serviços de limpeza pública, entregando à iniciativa privada atividades essenciais como coleta de lixo, varrição de ruas, capina, poda de árvores e manutenção de praças.
Na prática, a decisão atinge em cheio os varredores de rua, trabalhadores que enfrentam sol forte, chuva, riscos de acidentes e insalubridade diariamente. Com a terceirização total, eles deixam de ter vínculo direto com o poder público, perdendo a proteção que a gestão municipal deveria garantir.
Terceirização total: do lixo à varrição
O contrato firmado com a empresa Ademar Castro Ferreira Junior Comércio e Serviços LTDA prevê que todos os pontos da limpeza urbana passem para mãos privadas. Não se trata de apoio complementar ou reforço operacional: é a transferência completa de um serviço essencial, que historicamente sempre esteve ligado à administração direta do município.
Isso significa que:
- Os varredores deixam de ser responsabilidade direta da Prefeitura;
- As condições de trabalho passam a depender exclusivamente da empresa contratada;
- O município se afasta do dever de garantir estabilidade mínima, acompanhamento social e proteção institucional a esses trabalhadores.
Trabalho pesado, proteção zero
A limpeza pública é uma das atividades mais penosas e desvalorizadas do serviço urbano. São trabalhadores expostos a:
- Riscos biológicos;
- Acidentes com veículos;
- Cortes, contaminações e doenças ocupacionais;
- Jornadas exaustivas sob sol intenso.
Mesmo diante dessa realidade, o contrato não exige garantia de execução, um instrumento que serviria para proteger o interesse público e os próprios trabalhadores em caso de falhas, abandono do serviço ou descumprimento de obrigações.
Ou seja, o prefeito retira a limpeza pública da esfera direta do município, mas não cria mecanismos robustos de proteção nem para a cidade, nem para quem executa o serviço.
Quase R$ 5 milhões sem garantia contratual
Outro ponto que chama atenção é que, apesar do valor elevado do contrato, a Prefeitura dispensou a exigência de garantia de execução. Na prática, isso significa que, se a empresa falhar, atrasar salários, reduzir equipes ou abandonar o serviço, o município não terá um instrumento financeiro imediato para minimizar os danos.
Para um contrato de quase cinco milhões de reais, envolvendo saúde pública, meio ambiente e dignidade urbana, a decisão é, no mínimo, questionável.
Fiscalização frágil e risco para a população
O contrato designa apenas um fiscal e um gestor para acompanhar toda a execução da limpeza pública em Coelho Neto. Para um serviço diário, espalhado por toda a cidade, essa estrutura de fiscalização é considerada insuficiente, abrindo margem para:
- Falhas não registradas;
- Pagamentos mesmo com serviços mal executados;
- Reclamações da população sem resposta efetiva.
Enquanto isso, o cidadão segue pagando a conta — seja em impostos, seja convivendo com ruas sujas, coleta irregular e precarização do serviço.
Decisão política, impacto social
A terceirização da limpeza pública não é um ato técnico neutro, é uma decisão política. Ao optar por esse modelo, o prefeito Bruno Silva escolhe:
- Afastar o município da responsabilidade direta sobre os trabalhadores;
- Transferir um serviço essencial ao setor privado;
- Fragilizar o vínculo entre o poder público e quem mantém a cidade limpa todos os dias.
Os varredores de rua, que sempre estiveram na linha de frente, agora passam a depender exclusivamente de uma empresa privada, sem a proteção da gestão pública que deveria zelar por eles.
A pergunta que fica
Diante de um trabalho tão sofrido e essencial, é justo retirar desses trabalhadores a proteção direta do município?
É esse o modelo de gestão que Coelho Neto precisa?
A terceirização foi assinada. Agora, cabe à população e aos órgãos de controle acompanhar de perto para que a limpeza da cidade não vire sinônimo de abandono dos trabalhadores e desperdício de dinheiro público.
Redação | Na Mira dos Fatos CN
Reginaldo Machado – Jornalista
DRT 0098880/SP

Comentários
Postar um comentário