Secretário culpa pais por ação de menores, mas gestão não oferece nenhuma política real para tirar jovens do caminho do crime
A fala do secretário municipal de Segurança, Albino, após o vídeo dos cinco menores armados com faca viralizar em Coelho Neto, levantou mais perguntas do que respostas. Enquanto ele responsabiliza exclusivamente as famílias pela presença de adolescentes na criminalidade, a gestão municipal segue sem apresentar qualquer política pública capaz de oferecer alternativas a esses jovens.
No pronunciamento, Albino afirma que “tem algo errado nas famílias” quando um adolescente sai à noite e retorna apenas no dia seguinte. Mas a parte que ficou de fora — e que a população questiona — é: o que a Prefeitura tem feito para que esses jovens não encontrem no crime a única porta aberta?
Cobrar as famílias é fácil. Difícil é assumir que o município nada faz pela juventude
É verdade que os pais têm responsabilidade. Nenhum pai ou mãe quer ver um filho no crime. Mas transferir toda a culpa para dentro das casas é ignorar que a cidade não oferece espaços, projetos, esportes, cultura, cursos, oportunidades ou qualquer programa eficaz para a juventude.
Onde estão:
- os projetos sociais?
- as escolinhas de esporte?
- os cursos profissionalizantes?
- os programas de prevenção?
- a assistência para famílias vulneráveis?
- as parcerias com escolas para acompanhamento de adolescentes em risco?
Nada disso aparece na fala do secretário.
E pior: nada disso existe na prática.
O secretário cobra, mas não explica o que ele — como servidor público pago pelo povo — está fazendo
Ao pedir para os pais “observarem roupas dos filhos” e ficarem atentos aos horários, Albino esquece que ele ocupa um cargo estratégico dentro da gestão.
A pergunta que não quer calar é:
O secretário Albino, enquanto funcionário público, vai fazer o quê para impedir que esses jovens prossigam na criminalidade?
Ações concretas?
Projetos de prevenção?
Políticas de inclusão?
Nenhuma foi citada.
Segurança pública não é só repressão: é prevenção
A fala do secretário reforça um padrão da atual gestão:
quando algo grave acontece, culpa-se o cidadão. Quando se cobra solução, jogam a responsabilidade para as famílias, para o Estado, para qualquer um — menos para a Prefeitura.
Mas segurança pública não se resume a polícia na rua.
Segurança pública é:
- oferecer alternativas,
- acolher famílias em vulnerabilidade,
- criar espaços de convivência,
- investir em educação, cultura e esporte,
- prevenir antes que o problema aconteça.
E nada disso foi mencionado.
Enquanto a gestão lava as mãos, a juventude continua sem rumo
Em dois anos citados pelo próprio secretário, vários jovens morreram envolvidos com facções e criminalidade.
E ainda assim, nenhuma política séria foi criada para impedir novas perdas.
Cobrar dos pais é válido.
Mas fingir que o poder público não tem responsabilidade é, no mínimo, omissão.
Se a gestão não oferece oportunidades, não investe em prevenção e não cria caminhos fora do crime, quem falhou primeiro: as famílias ou o próprio governo?
Redação | Na Mira dos Fatos CN
Reginaldo Machado – Jornalista
DRT 0098880/SP

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