“O Juiz da Internet cai na própria sentença”


“O Juiz da Internet cai na própria sentença” — Milton Vieira é condenado por injúria após atacar Soliney Silva


O blogueiro Milton Vieira de Araújo, conhecido por suas opiniões inflamadas e por tentar ser o “juiz da internet”,  foi condenado pela Justiça de Coelho Neto-MA por injúria contra o ex-prefeito Soliney de Sousa e Silva. A decisão, assinada pelo Juiz Manoel Felismino Gomes Neto, titular da 2ª Vara da Comarca de Coelho Neto, deixa claro: a internet não é terra sem lei e quem ultrapassa os limites da crítica responde por isso no fórum adequado — o judicial.

De acordo com a sentença proferida em 29 de outubro de 2025, Milton Vieira foi condenado com base no art. 140 c/c art. 141, §2º, do Código Penal, que triplica a pena quando o crime é cometido por meio da internet. O magistrado ressaltou que “a liberdade de expressão não pode servir de escudo para a prática de crimes contra a honra”, ecoando entendimento do Supremo Tribunal Federal.

A decisão impôs ao blogueiro pena de 30 dias-multa, calculada sobre o salário mínimo da época, além da indenização por danos morais a Soliney Silva. O caso ainda será comunicado ao Tribunal Regional Eleitoral, conforme prevê o art. 15, III, da Constituição Federal.

O processo teve início após publicações feitas em 2022, quando Milton Vieira direcionou ataques pessoais ao ex-prefeito. Durante o andamento do caso, o blogueiro tentou se retratar, mas o juiz lembrou que o arrependimento tardio não apaga o crime de injúria. A retratação, destacou, só tem validade para calúnia e difamação — o que não foi o caso.

A sentença pode ser consultada no link abaixo:
🔗 Sentença - Milton Vieira

O episódio expõe o paradoxo vivido por quem se coloca como “juiz da internet”, acreditando poder julgar, condenar e difamar pessoas sem prestar contas à Justiça. Mas a decisão do juiz Manoel Felismino Gomes Neto mostra que acusações infundadas têm consequências reais — e que o tribunal da internet não substitui o tribunal da lei.

Milton Vieira, que tanto julgou, agora foi julgado. E dessa vez, pelo verdadeiro juiz, em sentença registrada e publicada, sem curtidas, seguidores ou visualizações — apenas com a autoridade da lei.

A sentença contra Milton Vieira serve de lição para quem faz do teclado uma arma política. É um recado direto a todos os que, sob o manto da “liberdade de expressão”, acreditam poder ofender, caluniar ou difamar impunemente. Blogueiro não é juiz da internet, e cada palavra publicada pode ter consequências legais. A justiça mostra, mais uma vez, que a internet não é terra sem lei — e quem ultrapassa o limite da verdade pode acabar trocando curtidas por condenações.

Redação | Na Mira dos Fatos CN


Reginaldo Machado – Jornalista

DRT 0098880/SP 


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