Interferência política em regulação de pacientes expõe o caos na gestão de Coelho Neto-MA


Uma publicação recente feita por Samuel Bastos, nas redes sociais, expôs uma prática preocupante que evidencia o quanto a gestão pública de Coelho Neto-MA se encontra desorganizada e dependente de apadrinhamentos políticos.

No story divulgado, Samuel compartilha uma conversa via WhatsApp com a deputada federal Amanda Gentil (PP), na qual ela afirma que o “pedido de vocês é uma ordem”, informando que o leito do paciente Jeferson havia sido liberado, e que uma equipe de Caxias já havia buscado o paciente. O assessor finaliza a postagem agradecendo à parlamentar “por abrir as portas de Caxias para nossos pacientes de Coelho Neto”.

O gesto, que foi divulgado como um ato de solidariedade, revela algo muito mais grave: a interferência direta de uma deputada na regulação de pacientes, um processo que deveria ser técnico, impessoal e controlado exclusivamente pela Secretaria de Estado da Saúde, com base em critérios clínicos e de urgência.

A Constituição Federal, em seu artigo 37, estabelece os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência como base da administração pública.
Quando um parlamentar interfere na regulação hospitalar, pode está violando a impessoalidade e a legalidade, criando um sistema de privilégios em que o acesso a um leito depende de influência política — e não da gravidade do quadro médico.

Um especialista em gestão pública que ouvimos, aponta que esse tipo de “favorecimento” configura ingerência política indevida, podendo ser interpretado até como tráfico de influência (art. 332 do Código Penal), caso o cargo público seja usado para obter vantagens ou prestígio com base em uma atuação fora das atribuições legais. Retrato do descontrole na saúde de Coelho Neto

A situação também escancara o colapso da saúde pública municipal.
Se o município precisa recorrer a deputados para garantir atendimento a pacientes, isso significa que a gestão local não possui estrutura, planejamento nem autonomia para resolver demandas básicas de urgência e emergência.

Enquanto o prefeito Bruno Silva segue gastando cifras milionárias com eventos, decorações natalinas e publicidade institucional, a saúde continua dependendo de favores e contatos políticos — um retrato fiel da inversão de prioridades na atual administração.

E, embora neste caso o pedido tenha salvado uma vida, o que se pergunta é: quantas outras precisarão esperar por um novo “pedido a um deputado” para ter o mesmo direito?
A vida de um cidadão não pode depender da boa vontade de políticos, mas sim de um sistema de saúde que funcione para todos, de forma igualitária e eficiente.

Esse episódio é apenas mais um sintoma da desorganização e falta de comando que marcam a gestão municipal.
De vacinas extraviadas a falta de medicamentos, passando pela suspensão de pensões e perseguições políticas, o que se vê é uma cidade onde as regras institucionais cedem lugar à improvisação e ao favorecimento.

Enquanto a população sofre com a precariedade dos serviços públicos, a máquina administrativa parece funcionar apenas para atender interesses pessoais e políticos.

A interferência de uma deputada federal em um processo técnico da saúde pública não deveria ser motivo de agradecimento, mas sim de preocupação e questionamento.
Coelho Neto precisa urgentemente de uma gestão que respeite os princípios da legalidade e da impessoalidade, e que funcione para todos — não apenas para os aliados do poder.


Redação | Na Mira dos Fatos CN


Reginaldo Machado – Jornalista

DRT 0098880/SP 

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