Prefeitura de Coelho Neto cria Comissão para organizar concurso público, mas transparência e imparcialidade ainda preocupam
A Prefeitura Municipal de Coelho Neto-MA publicou na edição nº 1495 do Diário Oficial, de 04 de julho de 2025, a Portaria nº 051/2025 - CC, que institui uma Comissão Especial responsável por planejar, elaborar, publicar o edital, acompanhar, supervisionar e adotar providências para a realização de concurso público destinado ao provimento de cargos efetivos na administração pública municipal.
A Comissão, presidida por Wellington Luz Carvalho (Educação) e tendo como vice-presidente Evilene Leal dos Santos Guerra, é composta por servidores de diversas secretarias, como Saúde, Assistência Social, Gestão e Orçamento, Procuradoria e Controladoria Geral.
Papel da Comissão
De acordo com a portaria, entre as atribuições da Comissão estão:
- Elaboração do levantamento de vagas;
- Proposta preliminar de edital;
- Aprovação de minutas e cronogramas;
- Fiscalização da empresa contratada para organização do concurso;
- Atuação como gestora e fiscal do contrato;
- Proibição expressa de membros participarem, direta ou indiretamente, como sócios ou candidatos.
Ausência do Sindicato e do MPMA
Apesar da Comissão ser composta exclusivamente por membros do próprio governo municipal, nenhum representante sindical foi incluído, o que levanta dúvidas sobre a imparcialidade do processo.
A participação do sindicato que representa os servidores públicos poderia garantir maior transparência, fiscalização social e alinhamento com as necessidades da categoria. Sua exclusão enfraquece o controle social e retira do processo uma das principais vozes que deveria ser fiscalizadora da legalidade e equidade nos concursos.
Além disso, o Ministério Público do Maranhão (MPMA), embora não costume integrar comissões de concursos como membro deliberativo, poderia sim ser convidado a atuar como observador ou acompanhar os atos preparatórios, conforme prevê a própria Recomendação Administrativa nº 02/2025/MPMA/19ªPJCON, citada na portaria. Essa recomendação trata diretamente da necessidade de garantir lisura, publicidade e impessoalidade nos certames.
Fundamentação legal e reação à pressão do MPMA
A Lei Federal nº 14.966/2024, também citada na portaria, dispõe sobre normas gerais relativas a concursos públicos e estabelece como diretrizes:
- ampla concorrência
- transparência
- fiscalização social
- eficiência administrativa
Além dela, a Recomendação nº 02/2025/MPMA/19ªPJCON, do Ministério Público do Maranhão, foi explicitamente mencionada como motivadora da medida. Isso evidencia que a criação da comissão não partiu de uma iniciativa espontânea da Prefeitura, mas sim foi uma resposta direta à pressão institucional exercida pelo MPMA, que vem exigindo a adoção de medidas legais para a realização do concurso público em Coelho Neto.
Recomendação ainda não divulgada
Apesar de a recomendação do MPMA ter sido citada pela Prefeitura como fundamento legal da portaria, até o fechamento desta matéria, seu conteúdo completo não foi disponibilizado publicamente em canais oficiais. Isso levanta mais um alerta em relação à transparência do processo.
Criação da comissão não significa que o concurso está garantido
Embora a criação da comissão seja um passo importante, ela não garante, por si só, que o concurso público realmente acontecerá. Trata-se apenas de uma etapa preparatória.
Para que o concurso se concretize, ainda são necessárias:
- Publicação oficial do edital com regras e datas;
- Contratação da banca organizadora;
- Previsão orçamentária formalizada;
- Execução do cronograma com provas e homologação.
Ou seja, o prefeito ainda não está juridicamente obrigado a seguir com o certame, o que deixa o processo em aberto. O histórico da gestão mostra que muitas ações param na fase das promessas e portarias.
Transparência e fiscalização seguem como desafio
Apesar de Coelho Neto ter recebido milhões em transferências federais somente neste primeiro semestre de 2025, a população continua enfrentando problemas com saúde precária, infraestrutura deficitária e denúncias de perseguição política — como foi o caso da pensionista Viviane Vasconcelos e de Elison Morais, alvo de 12 processos por criticar a gestão municipal.
A criação da Comissão de Concurso Público, portanto, é um passo técnico, mas não será suficiente se não vier acompanhada de transparência ativa, inclusão de representantes independentes, como o sindicato, e fiscalização por parte de órgãos como o MPMA.
O blog Na Mira dos Fatos continuará acompanhando todas as etapas deste processo seletivo e os contratos firmados para sua execução. A população merece um concurso público sério, técnico e sem interferências políticas.
“Comissão só foi criada após recomendação do Ministério Público.”
Reginaldo Machado
Na Mira dos Fatos: onde a verdade incomoda, mas a notícia é levada a sério.

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