O vereador William W3 tenta silenciar a crítica e expõe o desprezo pela democracia
Durante a sessão da Câmara Municipal de Coelho Neto realizada ontem, um episódio lamentável escancarou a dificuldade de certos parlamentares em lidar com críticas públicas. O vereador William W3 , ao pedir a palavra durante a fala do vereador Samuel Aragão — o único que não processou o cidadão Elison Morais, partiu para o ataque pessoal contra o denunciante, tentando desqualificá-lo com argumentos frágeis e reveladores de um comportamento antidemocrático.
A transcrição da fala do vereador fala por si:
“Inclusive eu também estou movendo contra esse rapaz né, o filho do professor Gilson né. (...) Esse cidadão nem Coelho Neto mora, ele mora até o dia ser, ele mora em outra [cidade]. (...) Ele pega informações sem ter certeza e começa a publicar aí pras redes sociais. Temos a obrigação de mostrar não só para ele, mas para a população, que internet não é terra sem lei.”
O que se viu foi mais do que uma tentativa de se defender. Foi um ataque frontal à liberdade de expressão — um direito fundamental garantido pela Constituição. Ao invés de apresentar provas de sua inocência ou explicar os fatos apontados por Elison Morais, o vereador preferiu adotar uma estratégia de intimidação, recorrendo à já conhecida “judicialização do silêncio”.
O incômodo com a verdade
Elison Morais, conhecido por levantar denúncias sobre irregularidades na saúde, educação e infraestrutura do município, virou alvo de uma enxurrada de ações judiciais movidas por 12 dos 13 vereadores . Sua "culpa"? Denunciar, com base em indícios e informações públicas, o que a maioria prefere esconder debaixo do tapete.
Ao alegar que Elison “nem mora em Coelho Neto”, William W3 escorregou em uma tentativa infantil de deslegitimar a crítica. O lugar de moradia de um cidadão não limita seu direito de fiscalizar e denunciar o que ocorre na sua terra natal, onde seus pais vivem e onde ele possui laços afetivos e sociais.
A internet é terra de lei — e também de liberdade
Dizer que a internet “não é terra sem lei” é verdade. Mas o que William W3 parece esquecer é que a internet também não é território exclusivo do poder . É espaço legítimo de debate, de denúncia e de resistência. Usar esse discurso para processos judiciais justificativos contra quem fala a verdade soa mais como ameaça do que como defesa legítima.
Uma pergunta que não quer calar
Por que os vereadores se incomodaram tanto com as falas de Elison Morais? Se são infundadas, por que não respondem com transparência, provas e prestação de contas? O silêncio seletivo diante das denúncias, somado à fúria jurídica contra quem as faz, levanta uma suspeita incômoda: Há algo a esconder?
Em tempos de retrocessos e tentativas de calar vozes dissonantes, a coragem de quem denuncia precisa ser valorizada. E o povo de Coelho Neto precisa ficar atento: Hoje, tentam calar Elison, amanhã, poderá ser você.
Reginaldo Machado
Na Mira dos Fatos CN

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