Engenheiro da Prefeitura afirma não ter poder para efetuar pagamentos e relata pressão de trabalhadores em obras de Coelho Neto-MA
Trabalhadores denunciam novo atraso de salários em obras de Coelho Neto-MA; engenheiro da Prefeitura diz não ter poder para pagar
Trabalhadores que atuam em obras públicas no município de Coelho Neto-MA voltaram a procurar o Na Mira dos Fatos CN para denunciar o atraso no pagamento de salários por parte de empresa terceirizada responsável pela execução dos serviços. A denúncia, feita sob condição de anonimato, aponta que todos os trabalhadores ficaram sem receber durante o período do Natal e do Ano Novo, agravando ainda mais a situação financeira das famílias envolvidas.
Segundo os relatos, o problema não é novo. Denúncia semelhante já foi publicada anteriormente por nós, envolvendo empresas terceirizadas que atuam em obras vinculadas ao poder público municipal. À época, trabalhadores relataram dificuldades semelhantes, com atrasos salariais e ausência de respostas efetivas.
Desta vez, a situação ganha contornos ainda mais graves devido ao impacto humano direto. Entre os trabalhadores afetados, há o relato de um funcionário que sofreu um acidente e estaria doente, precisando urgentemente do salário para custear despesas básicas e tratamento, sem obter qualquer retorno concreto sobre quando o pagamento será realizado.
“Ficou de pagar em dezembro pra gente passar o Natal com a família, e até agora nada”, relata um dos trabalhadores, em áudio enviado à reportagem.
Resposta do engenheiro ligado à Prefeitura
Após a denúncia, a reportagem teve acesso a diversos áudios enviados pelo engenheiro que acompanha as obras, identificado pelos próprios trabalhadores como engenheiro da Prefeitura de Coelho Neto, e não como encarregado financeiro ou dono da empresa.
Nos áudios, ele afirma repetidamente que não tem poder para efetuar pagamentos, deixando claro que não é o prefeito, não representa a Prefeitura como pagadora e tampouco é proprietário da empresa terceirizada.
“Eu não sou a prefeitura, não sou o prefeito e nem sou o dono da empresa. Não tenho poder nenhum, a não ser ir atrás”, afirma em um dos trechos.
O engenheiro relata ainda estar sofrendo pressão constante de dezenas de trabalhadores, recebendo ligações e mensagens ao longo do dia. Em tom de desabafo, pede que a cobrança seja centralizada em um único representante, alegando desgaste pessoal e emocional.
“Vinte, vinte e cinco pessoas falando comigo ao mesmo tempo não resolve. Eu também tenho família, tenho limite”, declara.
Apesar do tom firme, ele não nega o atraso salarial. Pelo contrário, reconhece que os pagamentos estão pendentes e afirma que vem tentando contato com representantes da empresa responsável pelo setor financeiro. No entanto, admite que não há qualquer previsão concreta para a liberação dos valores, inclusive durante o período festivo.
“Era pra ter resolvido antes do Natal, não resolveu, e até agora também não estou tendo resposta”, afirma em outro áudio.
Reincidência e falhas na fiscalização
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade do poder público na fiscalização de contratos com empresas terceirizadas, especialmente quando há reincidência de denúncias envolvendo atraso de salários.
Embora o engenheiro afirme que o pagamento não é de sua responsabilidade direta, os trabalhadores questionam como empresas que já apresentaram problemas anteriormente continuam atuando em obras públicas, sem que medidas preventivas sejam adotadas para proteger quem executa os serviços.
Para os trabalhadores, o sentimento é de abandono, sobretudo em um período sensível do ano, quando despesas aumentam e a expectativa era de passar as festas com o mínimo de dignidade.
Espaço aberto
O Na Mira dos Fatos CN reforça que não acusa, mas informa e questiona, cumprindo seu papel jornalístico. O espaço segue aberto para manifestação oficial da Prefeitura de Coelho Neto-MA e da empresa responsável pelos pagamentos, caso queiram apresentar esclarecimentos ou documentos que comprovem a regularização da situação.
A reportagem continuará acompanhando o caso.
Redação | Na Mira dos Fatos CN
Reginaldo Machado – Jornalista
DRT 0098880/SP

Comentários
Postar um comentário