Coelho Neto-MA: Sem nenhuma obra para postar, citam obra federal para insinuar ser municipal e o povo fica de fora

Prefeitura de Coelho Neto transforma aniversário da cidade em peça de autopromoção

Campanha dos 132 anos usa símbolos da cidade e até obra federal para enaltecer gestão municipal



A Prefeitura de Coelho Neto publicou nas redes sociais uma série de artes comemorando os 132 anos de emancipação política da cidade. A postagem, marcada pelo slogan “Onde o trabalho transforma”, traz uma identidade visual colorida, moderna e aparentemente bem produzida.
Por trás da estética, porém, o conteúdo esconde um discurso político disfarçado de homenagem institucional.

Nos quatro cards publicados, a gestão municipal tenta associar o desenvolvimento e a força da cidade à sua própria marca de governo, intitulada “A Marca do Trabalho”. O problema é que boa parte dos símbolos apresentados não tem relação direta com ações da atual administração — e um deles, o mais destacado, nem sequer foi construído com recursos municipais.


Portal da cidade: obra federal, mérito indevidamente atribuído à Prefeitura

A postagem oficial afirma que o portal da cidade, “recentemente construído pela Prefeitura”, representa um novo tempo e o acolhimento.
Na prática, o portal de entrada de Coelho Neto foi feito com recursos do governo federal, e não pelo município.
Ou seja, a gestão Bruno Silva se apropriou de uma obra financiada por outra esfera de governo para criar a impressão de que seria um feito local.

Essa tentativa de reescrever a origem da obra configura um uso indevido da comunicação institucional, uma vez que a Prefeitura não reconhece publicamente a participação do governo federal — responsável direto pela execução financeira do projeto.




Símbolos genéricos, sem vínculo com ações da atual gestão

A arte dos 132 anos é formada por três elementos principais dentro do número “132”:

  • O bambu, que simbolizaria resistência e prosperidade;
  • O portal da cidade, supostamente obra da Prefeitura;
  • O rio Parnaíba, que remete à origem e natureza local.

Apesar do apelo simbólico, nenhum desses elementos tem ligação com realizações concretas da atual administração.
O bambu e o rio são símbolos históricos e naturais de Coelho Neto, e o portal, como mencionado, foi construído com verba federal.
Ou seja, a postagem tenta associar a imagem da gestão a ícones que pertencem à cidade e à sua história, e não ao atual governo.


Beleza visual que mascara propaganda política

Do ponto de vista estético, a campanha é bem executada: usa cores vivas (verde, azul e laranja), tipografia moderna e uma linguagem visual alinhada ao marketing digital.
No entanto, a beleza da peça serve para suavizar uma mensagem política clara: a de que o governo municipal é o responsável pelo “trabalho que transforma”.

A frase “Onde o trabalho transforma”, que encerra a publicação, é o mesmo lema político usado pela atual gestão em todas as suas campanhas oficiais.
Com isso, o aniversário da cidade — uma data histórica e que deveria homenagear a população — acaba sendo transformado em instrumento de autopromoção administrativa.


Comunicação pública usada como vitrine de governo

A publicação é um exemplo típico de uso político de data comemorativa.
Ao invés de celebrar o povo, suas conquistas e sua trajetória, a Prefeitura utiliza o espaço institucional para reforçar a marca e o discurso de eficiência da gestão Bruno Silva.
Nada se fala sobre cultura, educação, desafios sociais ou o papel do cidadão.
Tudo gira em torno de uma narrativa de “trabalho” e “transformação” — slogans que, curiosamente, são os mesmos da campanha de governo.

Essa estratégia de comunicação pública com viés político é questionável, especialmente em um ano pré-eleitoral, pois confunde o que é patrimônio simbólico da cidade com o que é propaganda de um gestor.


A campanha dos 132 anos de Coelho Neto é visualmente bonita, mas politicamente manipuladora.
A Prefeitura tenta vender uma imagem de progresso e transformação, enquanto omite fatos importantes, como a origem federal das obras citadas e a ausência de resultados concretos da administração municipal.

Em vez de enaltecer o povo coelhonetense, o conteúdo reforça a imagem do prefeito e de sua marca de governo.
Uma celebração que deveria ser de todos acabou se transformando em um palco de autopromoção política — e isso, definitivamente, não representa o verdadeiro espírito dos 132 anos de Coelho Neto.


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